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domingo, 24 de junho de 2012

MINHA AMADA AMIGA CELIA REGINA BASTOS--ADORO VOCE !!!!!







Meu nome é Célia Regina... Eu sou bem pequenina. Minha estatura é a de uma criança de quatro anos, aproximadamente 112 cm. Uso um par de muletas canadenses para andar... Uso um par de aparelhos auditivos para escutar... Uma cadeira de rodas para caminhadas mais longas... Tenho uma haste de metal dentro de meu fêmur, com um aramezinho, para sustentar meu osso... Um óculos para enxergar... Não pensem que sou um Extra Terrestre! Eu sou apenas uma pequenina mulher,que tem muito AMOR A VIDA! Nasci com um probleminha genético: Osteogenesis Imperfecta... Os médicos sempre se referem assim: Boneca de Vidro e Ossos de Cristal... Significa que tenho ossos muito porosos; até a adolescência tive várias fraturas nas pernas, ficando de três a seis meses engessada: a perna quebrada, o tórax e a metade da outra perna. Os médicos sempre faziam isto pois sabiam que eu era uma menininha agitada, não parava; logo que chegava em casa, tentava chutar o travesseiro com a perna metade engessada, como se fosse bola. Eu me locomovia em carrinhos bem estáveis, quatro rodas, pedais e direção... O último carrinho de brinquedo que tive, foi um Kart amarelo, com assento azul, freio de mão, tala larga... Todo incrementado... Eu ia andando para o jardim, festinhas na casa de vizinhos, subia e descia ladeiras no sítio de meus pais... E corria riscos. Para estes eventos, ia acompanhada dos primos de minha idade... Acho que foi por dirigir cedo os meus carrinhos, que aprendi a dirigir carros de verdade. Meu primeiro carro foi um Fusca; sua adaptação foi toda idealizada e, em parte, feita pelo meu pai... Meu primeiro Grito de Liberdade! Hoje, dirijo um Corsa Sedan Hidramático, AZUL, meu AZUL , como o Mar e o Céu... Juntos, vamos longe! Estudei com professor particular em minha casa até a quarta série, mas não era para me esconder. Minha mãe fez isto pois, fisicamente, eu precisava de cuidados especiais. Quando na quinta série, minha mãe me colocou em uma escola onde minhas três irmãs, fisicamente normais, haviam estudado e minha irmã, dois anos mais velha que eu, portadora do mesmo problema, já estudava. Eu fiquei radiante de ver uma sala cheinha de garotas para fazer amizades e conversar muito. Então, não era fácil eu me concentrar... Minha mãe tinha que ser rigorosa; quando eu chegava com uma nota baixa me colocava para estudar sério. Mas eu sei que ela me compreendia... Eu assumi mais responsabilidade quando decidi entrar na Universidade. Aí, estudei mesmo. Escolhi o Curso de Farmácia, o único que reunia a Química e a Biologia, explicando o verdadeiro milagre da Vida! Com 18 anos eu era estudante universitária! Não foi tão fácil, mas aproveitei o máximo! Estudei muito: Química, Biologia, Cálculo, Anatomia, Fisiologia, Farmacologia... Consegui muitas amizades... Estagiei em pesquisa e, após quatro anos, colei grau e iniciei meu Curso de Mestrado em Química Orgânica, na área de Química de Produtos Naturais... Esta nova etapa, foi bem mais difícil. Encontrei muitos e muitos preconceitos... Eu não era mais uma simples universitária, admirada pelas dificuldades físicas... Eu concorreria a uma vaga para lecionar na Universidade! Muitas lágrimas foram derramadas... Torturas psicológicas... E isto é difícil a gente provar... Nas nossas universidades, apesar d os doutores com seu alto nível intelectual, esbarramos em mais barreiras arquitetônicas e preconceitos. Neste longo período, apesar de ter conseguido bolsas de pesquisas , tentei várias vezes entrar em seleção para professor, mas os preconceitos me barravam... Quando algo é muito difícil se torna um desafio, para mim... E foi assim que consegui, em dezembro de 1978, ser aprovada numa seleção rigorosa para professor colaborador de Química Orgânica na Universidade Federal do Ceará, iniciando em fevereiro de 1979 minha vida como professora universitária! Complementei minhas adaptações para ser uma boa profissional: banco alto e estável para alcançar as bancadas dos laboratórios, estrado de madeira para ficar de pé e alcançar o quadro negro; enfim, contei com a ajuda e a aceitação de meus alunos, o que me motivou a continuar, apesar das dores, cirurgias e outras limitações, surgidas com a idade. Hoje, muitos profissionais da área de saúde: Médicos, Dentistas, Farmacêuticos, Enfermeiros; das áreas de Agronomia, Engenharia Química, Química Industrial, etc, foram meus alunos e me orgulho muito em revê-los... Defendi minha Tese de Mestrado em 1982. Participei de muitos Congressos de Norte a Sul do país, apresentando trabalhos em pesquisa de Química e, depois, em projetos de Educação em Ciências, para alunos e professores de primeiro e segundo graus, trabalhando em escolas públicas e particulares. Hoje, mais limitada para andar, uso uma cadeira de rodas linda, AZUL como meu carro, para dar aulas, fazer compras em shoppings, passear em calçadões de praias. Eu a levo sempre na mala de meu Corsa Sedan Hidramático AZUL... Faço natação, desde 1982 e, às vezes, consigo ficar uma hora inteira nadando! Adoro ir a praia, ao cinema, visitar meus amigos, curtir meus seis sobrinhos (dois rapazes e quatro garotas) - sempre digo que foram gerados no útero de meu coração... Moro em meu apartamento, comprado na planta, todinho adaptado para mim: piso meio antiderrapante, tudo muito baixinho, cadeira bem alta na cozinha e muito AZUL... Passei, como todos, por diferentes etapas na minha vida. Em algumas, chorei demais... Meus pais ajudaram muito e eu consegui superar! Vivi momentos bonitos e aprendi a comemorar todos eles... Substitui o que me faltava por outras coisas das quais gostava. Acreditei em mim... Apesar dos pesares, gostei de mim... Hoje digo sempre: tenho quarenta e cinco anos de Osteogenesis Imperfecta. Sou uma Sobrevivente e AMO MUITO A VIDA!

Célia Regina Vieira Bastos
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