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sexta-feira, 29 de junho de 2012

A CRIANÇA DE 10-15 ANOS





DESENVOLVIMENTO 
O desenvolvimento da criança é um importante determinante da saúde. Os
primeiros anos de vida são considerados um período de grande oportunidade para
crescimento e desenvolvimento, estabelecendo base crítica para a saúde e sucesso
acadêmico da criança (CAVALCANTI et al., 2007).
Piaget (1976) considera 4 períodos no processo evolutivo da espécie humana
que são caracterizados "por aquilo que o indivíduo  consegue fazer melhor" no
decorrer das diversas faixas etárias ao longo do seu processo de desenvolvimento
(FURTADO et. al. 1999). São eles:
·         1º período: Sensório-motor              (0 a 2 anos)
·         2º período: Pré-operatório                (2 a 7 anos)
·         3º período: Operações concretas     (7 a 11 ou 12 anos)
·         4º período: Operações formais         (11 ou 12 anos em diante)
1° Estágio sensorio-motor, mais ou menos de 0 a 2 anos: a atividade intelectual da
criança é de natureza sensorial e motora. A principal característica desse período é
a ausência da função semiótica, isto é, a criança não representa mentalmente os
objetos. Sua ação é direta sobre eles. Essas atividades serão o fundamento da
atividade intelectual futura. A estimulação ambiental interferirá na passagem de um
estágio para o outro.
2° Estágio pré-operacional, mais ou menos de 2 a 6 anos: a criança desenvolve a
capacidade simbólica; "já não depende unicamente de suas sensações, de seus
movimentos, mas já distingue um significador (imagem, palavra ou símbolo) daquilo
que ele significa (o objeto ausente),  o significado". Para a educação é importante
ressaltar o caráter lúdico do pensamento simbólico. Este período caracteriza-se: pelo
egocentrismo: isto é, a criança ainda não se mostra capaz de colocar-se na
perspectiva do outro, o pensamento pré-operacional  é estático e rígido, a criança
capta estados momentâneos, sem juntá-los em um todo; pelo desequilíbrio: há uma
predominância de acomodações e não das assimilações; pela irreversibilidade: a
criança parece incapaz de compreender a existência de fenômenos reversíveis, isto
é, que se fizermos certas transformações, somos capazes de restaurá-las, fazendo
voltar ao estágio original, como por exemplo, a água que se transforma em gelo e
aquecendo-se volta à forma original.
3° Estágio das operações concretas, mais ou menos dos 7 aos 11 anos: a criança
já possui uma organização mental integrada, os sistemas de ação reúnem-se em
todos integrados. Piaget fala em operações de pensamento ao invés de ações.  É
capaz de ver a totalidade de diferentes ângulos. Conclui e consolida as conservações do número, da substância e do peso. Apesar de ainda trabalhar com 
objetos, agora representados, sua flexibilidade de  pensamento permite um sem
número de aprendizagens.
4°Estágio das operações formais, mais ou menos dos 12 anos em diante: ocorre
o desenvolvimento das operações de raciocínio abstrato. A criança se liberta
inteiramente do objeto, inclusive o representado, operando agora com a forma (em
contraposição a conteúdo), situando o real em um conjunto de transformações. A
grande novidade do nível das operações formais é que o sujeito torna-se capaz de
raciocinar corretamente sobre proposições em que não acredita, ou que ainda não
acredita, que ainda considera puras hipóteses. É capaz de inferir as conseqüências.
Têm início os processos de pensamento hipotético-dedutivos.
Cada uma dessas fases é caracterizada por formas diferentes de organização
mental que possibilitam as diferentes maneiras do indivíduo relacionar-se com a
realidade que o rodeia (COLL e GILLIÉRON, 1987). De uma forma geral, todos os
indivíduos vivenciam essas 4 fases na mesma seqüência, porém o início e o término
de cada uma delas pode sofrer variações em função das características da estrutura
biológica de cada indivíduo e da riqueza (ou não) dos estímulos proporcionados pelo
meio ambiente em que ele estiver inserido. Por isso mesmo é que "a divisão nessas
faixas etárias é uma referência, e não uma norma rígida", conforme lembra
(FURTADO op.cit).


Segundo GRUNSPUN,(1976) a fase da adolescência começa com a
puberdade. A puberdade se caracteriza pelo inicio das funções hormonais
especificas relacionadas com o aparecimento dos caracteres hormonais sexuais
secundários. De regra, estes fenômenos iniciam entre 10 e 12 anos de idade e a
adolescência se prolongara até a idade de maturidade adulta. O inicio da
adolescência é abrupto e dramático e o seu termino, gradativo, até a idade adulta. O
inicio caracteriza-se pela aceleração do crescimento físico, que chega à
desproporção, quer externa, quer interna. A desproporção física faz o adolescente
se sentir em desequilíbrio estético frente ao ambiente. Preocupa-se com o próprio
corpo e com o corpo dos outros.
O amadurecimento mental, intelectual e emocional é  rápido. Como as
características da personalidade se formavam nas fases anteriores a maturação nesta fase, segundo Tramer, põe em evidência os hábitos, as ações e as maneiras 
de pensar que vêm evoluindo desde a infância (GRUNSPUN op.cit).


2 ADOLESCÊNCIA
Segundo GONÇALVES (1994),a adolescência abrangeria  o período
compreendido entre a infância e a idade adulta. Não dispõe de contornos claramente
definidos quanto ao seu início e término, variando ainda de indivíduo para indivíduo,
estando situada entre os limites da segunda década de nossas vidas.
Como a adolescência representa uma fase de todo um  processo de
desenvolvimento, é importante observar os aspectos psicológicos do período que a
antecede. Os acontecimentos que ocorrerão durante a adolescência se darão a
partir do estado psicológico presente no final desta etapa. A etapa que antecede a
adolescência é conhecida como latência. A latência  teria seu início a partir da
primeira etapa de tentativa do complexo de Édipo, prolongando-se até a faixa de
transição com a própria adolescência, num período chamado de puberdade. A fase
inicial da adolescência também é denominada de puberdade. Profundas alterações
biológicas se fazem sentir. Estas mudanças, além das modificações que provocam
no físico do adolescente, causam também significativas modificações em sua vida
mental. Novas organizações psicológicas se estabelecem, transformando o universo
psíquico do adolescente. Muitas transformações ocorrem simultaneamente;
entretanto, observa-se que seu inicio podem ter variações para mais ou para menos
entre os indivíduos de mesmos sexos ou de sexos opostos. O inicio do estirão do
crescimento, por exemplo, varia de indivíduo para indivíduo, mas é em média mais
tardio no sexo masculino. É no início da adolescência, as relações tendem a se dar
em grupos pequenos e preferencialmente do mesmo sexo.Quanto mais
caminharmos no processo de desenvolvimento, maior será a tendência à formação
de grupos mais numerosos e mistos. As amizades ganham importância e podem se
tornar muito duradouras (GONÇALVES, 1994) .
Segundo LE BOULCH  (1983), o esquema corporal ou imagem do corpo pode
ser considerado como uma intuição de conjunto ou um conhecimento imediato que
temos do nosso corpo em posição estática ou em movimento, na relação de suas
diferentes partes entre si e sobretudo nas relações com o espaço e os objetos que nos circundam. Esta noção está na base do sentimento de disponibilidade que 
temos em relação  a nosso corpo e da relação vivida universo-sujeito.






Segundo LE BOULCH op.cit. evolução do esquema corporal se compreende em
três etapas:
- etapa do “corpo vivido” (até 3 anos);
-etapa da “discriminação perceptiva” (de 3 a 7 anos);
-etapa do “corpo representado” em posição estática e em movimento (de 7 a 12
anos).
No estágio do “corpo vivido”, o comportamento motor é global e suas
repercussões emocionais poderosas e mal controladas. A criança procede por
“ensaios e erros”.
O estágio de “discriminação perceptiva”  é no decorrer desse período que
ocorrem o risco de se manifestarem as primeiras “dificuldades” escolares. Por volta
dos 6 anos, o trabalho psicomotor deve resultar por uma “imagem do corpo” .
O estágio do “corpo representado” corresponde no plano intelectual ao estágio
das “operações concretas” de Piaget, no decorrer do qual a criança pode tomar
distância em relação ao envolvimento imediato da ação. A partir do ‘esquema de
ação “, aspecto dinâmico do”esquema corporal” e verdadeira “imagem antecipadora”
( Piaget), ela vai progressivamente desempenhar de  modo mais consciente sua
própria motricidade.
Para que essa atitude se manifeste, um certo número de
condições são requeridas:
- Uma experiência suficientemente variada do “corpo vivido”, num bom clima
emocional.
- Possibilidade de interiorização de interiorização e domínio das reações emotivas
primitivas.
- Um bom “esquema de atitude” que corresponde ao estágio da “imagem do corpo”
de caráter estático.
-Por fim, a possibilidade de integrar o conjunto das informações proprioceptivas(que
provêm do próprio corpo) e exteroceptivas de acordo com uma sucessão temporal
interiorizada e tornada consciente (percepção temporal).
Assim, entre 10 e 12 anos, a criança terá uma “consciência de si em forma de
imagem” no decorrer de uma ação e poderá abordar a aprendizagem de savoir-faire
gestuais codi ficados (aquisição inteligente de técnicas).Todavia, em inúmeros casos, este período de 7 a 12 anos é caracterizado pelo 
corte entre a “representação mental” e a realização motora, provocando a clivagem
entre a esfera intelectual e a esfera afetivo-motora. Este desequilíbrio é devido em
parte a um ensino demasiado verbal e conceitual sem referências suficientes as
experiências vividas e a a ação da criança no meio.



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