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domingo, 7 de outubro de 2012

Abre as asas sobre nós, liberdade!

PARABÉNS MINHA QUERIDISSÍMA LAURA MARTINS,SUCESSOS SEMPRE MAIS E MAIS!!!


Ter uma deficiência significa conviver com a
 necessidade diária
de superação de desafios, especialmente 
em nosso país,
 que despertou
 para a inclusão social
 há relativamente
 pouco tempo – 
e segue a passos lentos.

No cotidiano, a pessoa com deficiência precisa estar sempre equipada para viagem ou para exercer os esportes mais radicais: terá de
navegar mares bravios, saltar de parapente sem ter sido 
treinada para isso, andar na corda bamba, escalar montes 
de preconceitos, pular obstáculos, correr maratonas,
 tatear no escuro, ouvir sem escutar. Viver uma deficiência 
não é para qualquer um, eu garanto. 
Não é que sejamos melhores que ninguém, 
mas deparar com uma limitação e seguir vivendo
 com coragem e alegria só é possível quando
 cada um acessa o que traz de melhor dentro
 de si, aduba o que encontrou e cuida do
canteiro com zelo de jardineiro experiente.

Mas a grande meta, no final das contas, costuma ter o nome de autonomia ou liberdade. Todo indivíduo sonha com ela – mas para a pessoa com deficiência ela é fundamental. Contamos com a solidariedade, a gentileza e o carinho da família, dos amigos e até mesmo de desconhecidos, porém não podemos ficar dependentes disso. Nem sempre as pessoas estão disponíveis, nem sempre presentes no momento em que precisamos ou desejamos,
 nem sempre concordamem 
nos ajudar naquilo que é importante para nós. 
Às vezes negam auxílio, às vezes manipulam, fazem pirraça…
 Coisas de seres humanos. É preciso admitir
 que não é fácil estar disponível ao outro full time.

Além de tudo, já parou para pensar que é muito
 cansativo ter necessidade de recorrer ao outro
 o tempo todo? Me traz um copo d’água, por favor; 
pega aquele livro pra mim, me ajuda a tomar banho, 
a ir ao banheiro? Daqui a pouco? Não, agora! 
É agora que preciso! Ah, agora você não pode…

Com uma cidade acessível, inclusiva, a dependência progressivamente cede lugar à autonomia em inúmeras situações. Que tal se eu, como cadeirante, pudesse exercer meu direito constitucional de ir e vir sem ter de andar o tempo todo acompanhada? Mas as calçadas não me oferecem condições de circular sozinha.  Seria tão bom se eu pudesse sair para almoçar sem depender de ninguém…

E se o cadeirante pudesse usar o banheiro toda vez que tivesse necessidade? E se uma pessoa cega pudesse entrar e sair de seu prédio sem precisar de companhia (a não ser que ela tivesse o desejo de estar acompanhada, é claro), caso o painel do elevador estivesse adequado, com placas em braile? E se os filmes e novelas tivessem legendas para a população surda? Será pedir muito? Tudo isso proporciona autonomia, e são coisas tão corriqueiras…

Não podemos viver à mercê das instituições, das pessoas, das autoridades, dos especialistas. Todos são importantes e necessários, mas as decisões que nos afetam precisam ter a nossa participação ativa. Precisamos de autonomia, de condições de conquistar metas que nos são caras (no sentido de importantes). Dispensamos paternalismo, concessões; somente queremos que respeitem nossos direitos, porque precisamos exercer nossa cidadania e cumprir nossos deveres.

Todas essas reflexões me vieram à mente agora, 
ao ler o seguinte texto de Rubem Alves. Porque, 
diante do inesperado que é cada manhã de uma 
pessoa com deficiência (nunca sabemos com certeza
 quais novos desafios vão se fazer presentes), o medo surge, 
mas ele não pode nos impedir de voar.

“Somos assim: sonhamos o voo, mas tememos a altura. 
Para voar é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio.
 Porque é só no vazio que o voo acontece. 
O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. 
Mas é isso o que tememos: o não ter certezas. 
Por isso trocamos o voo por gaiolas. 
As gaiolas são o lugar onde as certezas moram.

É um engano pensar que os homens seriam livres se pudessem,
 que eles não são livres porque um estranho os engaiolou,
 que eles voariam se as portas estivessem abertas. 
A verdade é oposto. Não há carcereiros. 
Os homens preferem as gaiolas aos voos. 
São eles mesmos que constroem as gaiolas em que se aprisionam…”

De fato, temos medos e inseguranças:
 pra que dizer que não? 
Apesar disso, muitas de 
nossas cadeiras ganharão
 asas e voarão. É que a coragem 
se constrói na travessia, justamente
 porque o coração não abre
 mão do sonho da liberdade.

Muitos pés de pessoas 
cegas atravessarão pontes, 
abrindo mão do conformismo e da insegurança. 
Pessoas com paralisia cerebral ousarão sair de suas casas
 para mostrar talentos e buscar a realização de seus desejos.
 Pessoas surdas buscarão interagir, cantar, dançar, 
guiar automóveis. E por aí vai. Progressivamente, 
esse movimento ampliará a cidadania desses indivíduos 
e tornará o espaço físico mais inclusivo. 
As barreiras atitudinais também cederão.

Tenho diversos amigos com deficiência, grandes amigos, 
pessoas muito queridas. Todos são referência, para mim,
 da força descomunal que surge (apesar) da fragilidade orgânica.
 Quem olha o corpo não vê o tamanho do sonho.
E não vê que a espécie humana é capaz de realizar o inimaginável…

Você ainda está dentro da gaiola, com medo de bater as asas? 
Não duvide de que o voo está no DNA do pássaro. 
E não tenha vergonha de pedir ajuda para voar! 
Todos precisamos de auxílio eventualmente, 
até que brote a confiança nos próprios potenciais.

Vai bater a asa, vai…


Fonte:cadeiravoadora.blogspot.com.- 

Laura Martins


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